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TROIS POEMES EN PORTUGAIS (portugais)

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1.

PLENITUDE DA BELEZA

A Ricardo Paseyro

”Quando pleno de beleza, tu te levantas no horizonte do céu
Ó disco vivo,
Então começa a vida...”

          Faraó Aménophis IV, Hino ao Sol

 

Inesgotável doçura

Quem és tu sem a carne húmida

E a alma luminosa

Das palavras vivas?

 

Elas são a resposta vertical,

Os botões primaveris,

Os cálices perfumados

Do tempo que sempre recomeça

A voz do fogo e o olho do silêncio.

 

Contemplo o rosto refinado

do Faraó Akhenaton,

Esses traços diretos de clareza

Um estrada de música

Que esparge suas águas ao meio-dia

Infinitamente constante, translúcida,

Cerimoniosa e perene !

 

Ele sorri !

E a vida está lá

Plena, bela antiga, generosa,

Como árvore florida

Cício de folhas,

Murmúrio de abelhas

Seiva e sussurrante leveza !

 

Serenidade !

Ondular intenso de mil lembranças

Que sobem o rio

De cada memória,

Revoluteiam, iluminando a areia,

Permanecem !

O rápido pensamento apoia

Esta arquitetura aérea,

Elegante, frágil e majestosa

Como epigrama alexandrina.

 

E toda a beleza

É este sorriso fluido,

Esta fulgurância inesperada,

Esta chave de nenúfares

Que irradia

Dentro de mim,

Próxima e inacessível

Quente e inesgotável

Como um desejo iridescente

De canto incessante !

       

        Athanase Vantchev de Thracy

Em Paris, esta sexta-feira 31 de dezembro, Anno Domini MMIV

 

 2.

 

VÍVIDO

Para Jon-Marco de Sys

”O pensamento ontológico aparecerá finalmente muito
inferior ao pensamento ontogênico, muito menos capaz de
legitimar a afirmação do ser”.

         Charles Serrus

”Ensaio sobre o significado da lógica”

 

Os objetos despertam, levantam-se, olham-me,

Me interrogam sobre a minha presença frente a eles,

Parecem contentes das minhas respostas comovidas

E riem.

 

O oceano da calma é o seu palácio !

Não se interessam

Pela densa gravidade dos detalhes !

 

Quão grande é sua compaixão para conosco,

Eles que sabem que a morte brota em nós

Como a espiga de trigo na primavera.

 

Mas gostam de vir a nós,

Inclinar-se sobre a nossa vasta solidão

E beber um pouco de frescor

Da fonte escondida em nosso sangue.

 

As ondas tumultuosas da história

Onde vencedores e vencidos

Desfilam em fileiras cerradas

São-lhes totalmente indiferentes.

 

O que eles amam,

O que apreciam sobretudo

É a nossa pura memória.

 

Saltitam de afeição

Quando apoiados ao coração do esquecimento

Avançam na noite

Para afastar o vazio

Que reina ao redor deles

Ao meu redor.

 

Um vazio onde um canto anônimo

continua sempre a brilhar.

 

E põem-se a sonhar neste tempo sem par,

Neste tempo suntuoso e inatingível

Que não pode viver

A não ser fora do tempo !

 

       Athanase Vantchev de Thracy

Paris, 9 de julho de 2008

 

3.

 

SIENA

 

Os sinos de uma igreja em Siena

De manhã cedo,

E repentinamente

Essa presença abissal de Deus

Em minha garganta,

Essa vertiginosa ternura

Para o Cristo pendurado ao muro

Nos meus dedos !

 

Luz que golpeia minhas têmporas

ainda e sempre, 

Luz !

 

    Athanase Vantchev de Thracy

Rueil – Malmaison, 13 de julho de 2008