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TROIS POEMES EN PORTUGAIS (portugaus)

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Poèmes d'Athanase Vantchev de Thracy traduits en portugais par le poète brésilien Guilem Rodrigues da Silva

OS MORTOS AMADOS

A todos os meus mortos 

”Na noite triste
alguém
pôs-se a rir”

     Sumitaku Kenshin

 

Só os nossos corações sabem onde vivem

Os nossos mortos amados!

Eles sabem

Lá onde estão, têm o sol

De Deus por dia eterno.

 

Seus corações, sempre agitados,

Conhecem o afloramento delicado

Dos nossos pensamentos

Esperam que nossos sorrisos toquem

as cordas dos seus corpos diáfanos.

 

Esperando a nossa visita,

Falam devagar durante a noite

Com os anjos

E até ao amanhecer sonham

Com a nossa ternura!

 

Adormecem somente quando a aurora,

Saltando do cimo das montanhas

Avança graciosa

Até suas mansões solenes

Para cobrir suas bocas e seus olhos

Com goivos, rosmaninhos e íris.

    Athanase Vantchev de Thracy

Paris, 8 de maio de 2008

 

 

 

 

UM LUGAR ABSOLUTO

A Joseph de Courtivron

”Às vezes os passos do tempo Param e o silêncio então
Se instala...”

       Zoé Karelli

 

Mas o que é que nos faz chorar à noite

frente a uma velha fotografia?

Que pagamos com nossas almas

Com nossas pálpebras

Sentados diante das raízes do céu?

Um terno sonho

Num outro sonho maravilhoso desvanecido?

 

Nós que sabemos que não partimos nunca

Afastando-nos a cada dia de nós mesmos

Nós que permanecemos imortais

Enquanto nosso coração perdura tão

Impalpável como o perfume

Jacintos postos sobre a velha cômoda,

Enquanto nossa alma habita

A câmara secreta do amor.

 

Mas o que é que nos faz vibrar

À aproximação de uma voz adorada?

É a cintilação imprevisível

Do seu estranho destino,

Ou a irradiação suntuosa de sua alegria?

 

Amigo,

 

Tão distante fica tudo em segredo,

Tão remotas são em realidade

As coisas evidentes

Para nós que buscamos

A medida justa, a clareza pura,

A beleza absoluta dum lugar imediato!

 

A beleza a qual ficamos

divinamente dedicados,

Por sua essência.

Amigo,

É a vida febril,

A vida palpitante por si mesma,

É o ar, a água, a luz,

O mortal, o duro, o perecível,

Tocados pela graça

Duma palavra axial!

 

É o imortal, o eterno e a verdade,

Meu amigo,

Por último é o infinito

Na sua mais livre substância!

    Athanase Vantchev de Thracy

Paris, 8 de julho, Anno Domini MMVIII

 

CINCO FOLHAS DE CASTANHEIRO

Para Zita 

”No porto
ao final do verão
as lembranças me atormentam.”

           Akio Bin

I.

Para Ogushi Akira

 

Racimos de palavras maduras -

A terra avermelha-se

passam os anos, passam as estações.

 

II.

 

Para Kadokawa Haruki

 

O vento de outono

Assobia por entre as folhas vermelhas dos freixos

A solidão escorre dos muros.

 

III.

 

Para Sugawa Yôko

 

Uma folha amarela ambarina cai

do choupo -

uma lágrima a segue,

envelheci!

 

IV.

 

Para Nakahara Michio

 

Tu lês em voz alta um poema -

as folhas dos castanheiros caem,

outono

em nossos cabelos.

 

V.

 

Para Kimura Toshio

 

O líquido silêncio do outono,

os pintarroxos voam

grãos de uva -

meu amigo me oferece

uma pêra.

   Athanase Vantchev de Thracy 

Paris, 5 de julho de 2008