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TROIS POEMES EN PORTUGAIS II

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1.

O TEMPO ORDINAL

para Abul Qasim Hassan ibn Ahmad ´Unsuri

 

”Que caia em cinzas
o que deve tornar-se cinza”
     

       Rabindranath Tagore

A flauta das ervas derrama sua alma extasiada

Nos cálices azuis claros das pálpebras semicerradas

Que resta ainda, meu Príncipe, do fausto perfume das glosas,

das cartas não escritas, das palavras não pronunciadas.

 

Rueil-Malmaison, 8 de junho de 2008

 

2.

PURPÚREOS SOLUÇOS

In memoriam James Oscco Anamaría 

” Tu olhas a noite, meu Astro; porque não sou
o céu aos milhões de olhos para contemplar-te melhor”

                  Platon

 

Esta noite, meu irmão adorado,

Os soluços limitam o poder

para dizer-te do meu amor!

 

Faço dom da primavera dos meus olhos

À tua morte! Ofereço-te

O cetim do dia como lençol

E os suaves lábios do ano bissexto

Para cobrir com véu seus beijos

A inocência da tua face ensanguentada!

 

Tu e a imortalidade estão unidos agora

No anel de ouro que o tempo

Entrega ao dedo da solidão muda do teu povo!

 

Mãos cruas, pupilas cegas

Quem deixou desmoronar o corpo esmeralda da estrela

Ao lado selvagem da estrada

Em purpúrea ausência do Bom Samaritano!

 

Irmão, irmão do meu Verbo,

Não, eu não sei rezar pela tua alma!

De seus dedos abruptos,

A dor apagou as sílabas dos salmos

De todos os altares da minha memória!

 

E não conheço mais que

A seráfica gramática da Grande Caridade,

O alfabeto dos irrevogáveis Hinos do Amor,

A mística aritmética da Devoção

E o Culto antigo dos heróis!

 

Ó Mães, santas Mães do Peru,

Vinde,

Acender esta noite os círios de vossos corações,

Vertei

O bálsamo e a luz de vossa branca misericórdia

Sobre o rubi carmesim desta boca que tornou-se muda!

 

Esta boca que cantou com as chamas do seu sangue

A ode mais bela

À divina Liberdade!

 

E tu Senhor da Paz,

Vai adiante, ligeiro, invisível e terno

Em busca da harpa desse corpo de jasmim,

Aproxima-te, Senhor, e pousa Teus dedos irisados

Sobre as cordas abismais do coração

Do Poeta imortal

Teu Amigo, Teu Cantor,

Teu Companheiro,

Teu Louvador apaixonado!

 

Paris, 9 de maio de 2009 

 

3.

 

TRÊS PEQUENAS VIOLETAS

para Priscila 

”Perché piú bruci, per meglio sentire
questo tuo bacio che torce e scolora,
ogni mia fibra consuma al tuo fuoco,
ogni pensiero soggioga ed annulla,
ogni tuodolce, la pace e la gioia,
negami ancora.”

         Sergio Solmi

I.

Não, não a toquem, amores,

É tão bonita adormecida em sua roupa branca!

Não magoem a luz de seu rosto,

Não dobrem o ramo de papoulas

Dos seus lábios suavemente entreabertos!

 

Ela dorme, amores,

Deixem-me, sim, deixem-me

Sentir sua respiração de violetas brancas

Sobre minha face em lágrimas

E admirar seu pequeno peito de criança

Que se levanta e recai com a doçura

De uma onda matinal de abraços

Pela brisa e pela aurora- 

II.

Tão grande é a solidão, amores,

Tão quente a tristeza caída

Sobre a brancura da coberta

Que espera o sorriso

De um anjo!

III.

Não, não tenhas medo, meu amor,

Meu coração vela sobre teu sono

Precioso e frágil

Como xícara antiga

De porcelana da China.

 

Não, não tenhas medo

Ó minha campânula delicada

O que existe realmente carece de palavras. 

IV.

Sou a memória e o corpo

Dum sonho milenário,

A chave de uma caixa de segredos

Que a impotente morte procura abrir! 

V.

Teu luminoso rosto

que palpita sobre a neve do silêncio

É uma língua esplêndida

ele mesmo!

Paris, 4 de maio de 2008