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TROIS DE MES POEMES EN PORTUGAIS (portugais)

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A ÁRVORE DO SOL

à Eurielle

”Único vestuário do teu corpo, o vento”

              Costis Guimossoúlis

 

A noite passa lentamente,

Graciosamente

A escala frágil da alma

Estendida sobre a delgada folhagem

Das acácias.

 

Uma aragem límpida

Abre seus alegres braços

Para acolher o terno poema da brisa.

 

No ar lilás, azul, cor de laranja,

Dançam

Borboletas amarelas,

Pássaros brancos e anjos cor de rosa!

 

Casa antiga, casa dos meus

Constelada de murmúrios seculares!

 

Um livro de Leopardi

Deixado por uma alma apaixonada

Sobre o terraço

Coberto pela árvore do sol!

 

Os ecos dos seus versos

Febris,

Às feridas resplandecentes de beleza,

Às silabas tornadas transparentes

À força de tristeza indefinida

Casam-se com a quente música do mar!

 

Odes divinamente estranhas

A qualquer teoria!

 

Seráficas estrofes

Que rarefazem a gravidade azul do ar!

 

Resplandecentes palavras

Que permitem à alma

Conjugar ainda

Um verbo no futuro

 

 

E essas dolorosas cintilações do seu coração que,

se fossem mais luminosas,

Ter-me-iam cegado !

 

Ao longe,

Tornadas surdas

Pelas folhas luxuriantes dos louros,

Os raios súbitos da festa suntuosa

De Lughnasad !

Paris, 19 de junho de 2008

 

PALAVRAS JARDINEIRA DO INVISÍVEL

 

A Alfonso Gatto

"Montes e colinas; árvores frutíferas e florestas de cedros”

 

1.

 

As suntuosas folhas das faias

Depositam com arrepios

De uma delicadeza de penugens

As últimas luzes filtradas do dia

Sobre o encanto de nossas faces !

 

Um suave, muito suave odor de figos rachados,

Fragrância vigorosa de uma infância remota,

Embriaga as narinas inflamadas do ar,

As asas filigranadas dos canarinhos e das vespas !

 

Ao pé das colinas elegantes,

A Via Aurélia vincula sempre

O coração de Arles ao coração de Roma !

 

2.

 

Ah, aquele que olha o vazio está perdido

Estrofes,

Inimigas da eloquência suspeita,

Salvai-me das astúcias do nada !

 

Ensinai-me, orações antigas,

Cânticos piedosos,

Palavras perfumadas por incenso litúrgico,

As fórmulas gestatórias da fé,

As equações do fogo,

Os teoremas germinadores

Das águas da terra e do céu!

 

E como em Zanzotto,

Ó Musas da misericórdia,

Ditai à minha alma uma ode à Beleza

Antes que a noite tombe sobre meu poema,

E que a esperança impalpável

Renda-se à fatalidade temerosa!

 

Paris, 3 de julho de 2008

 

 

SEGUNDA-FEIRA 

”Sobre a mesa havia sido posto
uma cabeça em argila
nas paredes foram postas flores ” 

      Miltos Sakhtoûris,

      A cena

 

Elogio a Mog Ruith,

O esplêndido músico druída,

O suave mestre da harpa mágica!

 

Glória a Dagda, seu protetor,

O deus dos relâmpagos,

O senhor dos mares e do além,

O soberano benevolente

Cuja hospitalidade é digna dum Alcinoos !

 

Ó Músico das almas apaixonadas pela  beleza,

No meu seio faísca uma luz vívida,

Sobre minha mão de humilde poeta de Gália

São pintados os olhos do céu imortal!

 

Mas sacrifico também às deusas gregas,

À Esperança e a ti, Némesis,

Ao pé das vossas estátuas,

Erguidas lado a lado,

No templo antigo do meu coração,

Eu rezo, com lágrimas sinceras e fervor infinito,

Cada dia!

 

Cada dia,

Ó deusas,

De modo que o cantor modesto que sou,

Não almeje mais do que lhe seja autorizado!

 

Eis porque,

Amigos meus,

Todas as noites,

O teto de minha modesta morada

Docemente se eleva

À rosea claridade dos húmidos astros

E meus sonhos impalpáveis tornam-se lírios!

 

Paris, 23 de junho de 2008

                     

 

 

 

Mis à jour ( Vendredi, 30 Juillet 2010 20:05 )